Se numa noite de inverno um viajante — Italo Calvino

crítica

Livro desconstruído

Inovador, irreverente, vanguardista. Uma lufada de ar fresco na literatura mundial.

Se numa noite de inverno um viajante‘, de título inusitado, celebra a arte da leitura, os hábitos e costumes de ser leitor, tecendo também críticas aos “ilustres” académicos e autoproclamados intelectuais que estragam o simples e natural acto de ler, bem como os editores que o tornam num negócio fortuito que valoriza a quantidade sobre a qualidade literária.


Italo Calvino configura-se um mestre contador de histórias, uma vez que a maioria dos contos inacabados suscitaram em mim, leitor, bastante interesse de as continuar, assim como ao Leitor. Fomos assim manipulados, tal como o Autor previra.

” Não que estejas à espera de alguma coisa de especial deste livro em especial. És um daqueles que por princípio não espera mais nada de nada. Há tanta gente, mais jovem do que tu ou menos jovem, que vive na expectativa de experiências extraordinárias; daquilo que o dia de amanhã lhes reserva. Tu não. Tu sabes que o melhor que se pode esperar é evitar o pior.

” Vamos ver. Talvez a princípio te sintas um pouco desorientado (…) Mas depois prossegues e dás-te conta de que o livro se deixa ler apesar de tudo, independentemente daquilo que esperavas do autor. Pensando bem até preferes que seja assim, encontrares-te perante qualquer coisa que ainda não sabes bem o que é.


4.3

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