A geração dos Millennials, e a subsequente Generation Z, está frequentemente associada a uma alienação da cultura e da literatura – um entendimento que importa desmistificar.
A #geraçãodeleitores é uma iniciativa do Calhamaço que demonstra que a nossa geração gosta de ler. O projecto pretende ilustrar que a leitura pode ser uma proteção para os tempos incomuns nos quais vivemos.
Esta iniciativa envolve a comunidade e dá voz aos leitores. Cada convidado recomendará a leitura de um livro que o marcou no último ao escrever uma breve review, escolher uma imagem ilustrativa da mensagem da obra e tirar uma fotografia com a capa do livro como #bookmask – uma defesa contra a pandemia da desinformação.
No contexto de confinamento e isolamento social no qual vivemos no corrente ano de 2020, surgiu o desafio de explorar um livro que nos coloque nos ombros de gigantes para compreender o mundo que nos rodeia. Para quem acredita que ler é de facto o melhor remédio. O que é então um clássico da literatura? Deixemos que o afamado e imaginativo escritor italiano Italo Calvino nos elucide acerca desta definição:
“Um clássico é um livro que nunca acaba de dizer o que tem para dizer.
— Porquê Ler os Clássicos? — Italo Calvino
Assim, propomos um clássico por mês nesta corrida amigável onde o vencedor é sempre o leitor. Uma lista que pretende ser ecléctica no estilo, geografia, corrente literária, autor e época de publicação de forma a apresentar um leque alargado do que se entendem por “clássicos da literatura”.
Janeiro: A Conquista da Felicidade [The Conquest of Happiness] — Bertrand Russell (1930) *Comprar#Crítica
Fevereiro: Mrs. Dalloway — Virginia Woolf (1925) *Comprar
Março: A Peste [La peste] — Albert Camus (1947) *Comprar
Abril: A Ilustre Casa de Ramires — José Maria de Eça de Queirós (1900) *Comprar
Maio: A Paixão do Jovem Werther [Die Leiden des jungen Werthers] — Johann Wolfgang von Goethe (1779) *Comprar
Junho: A Leste do Paraíso [East of Eden] — John Steinback (1952)*Comprar
Julho: O Profeta [Le Prophète] — Khalil Gibran (1923) *Comprar
Agosto: Conversa na Catedral [Conversación en la catedral] — Mario Vargas Llosa (1969)*Comprar
Setembro: Do Lado de Swann [Du côté de chez Swann | #1 À la recherche du temps perdu] — Michel Proust (1918) *Comprar
Outubro: O Príncipe [Il principe] — Niccolò Machiavelli (1513) *Comprar
Novembro: Dom Casmurro — Joaquim Maria Machado de Assis (1899) *Comprar
Dezembro: Ficções [Ficciones] — Jorge Luis Borges (1944) *Comprar
A galeria acima contém as capas e os links para comprar cada livro desta colecção plural junto da Bertrand.
Os links para as críticas (assinalados com #) estão localizados juntos de cada título e são actualizados à medida que o ano se vai desenrolando e o desfio é completado. Entre [parênteses] encontra-se o título no idioma original da publicação do autor, seguido do seu (ano) de lançamento. * A compra dos livros através dos links (assinalados com *) na Bertrand.pt (a mais antiga livraria em funcionamento do mundo) contribuem com uma comissão para o blog 🙂
Bem-vindos a um blog com a missão despretensiosa de incitar a ler mais e melhor, a analisar criticamente obras fundamentais da literatura e a partilhar a paixão pelos livros. O livro, um conjunto de páginas impressas atadas entre si, é tão imortal quanto o deixarmos sê-lo. É um artefacto que sobreviveu à evolução humana e está para ficar. Numa sociedade em modo instantâneo, a prática da leitura pode contrastar: é um deleite prolongado que requer foco e a participação activa do leitor. O pay-off é garantido. Pode nos abrir portas para um novo mundo, pode nos dar a conhecer melhor o nosso, ou ainda mostrar como coabitam outros mundos.
O nome é em si paradoxal, propondo-se ser o contrário do peso de um calhamaço, um volume maciço e do qual se tem fastio de aproximar. O Calhamaço pretende, simplificadamente:
i) incitar a leitura;
ii) estimular a reflexão crítica;
iii) simplificar as obras obrigatórias da literatura mundial;
iv) divulgar a literatura e cultura lusófona.
Pese embora navegando num oceano de subjectividade, esperamos poder apartar num porto de abrigo onde o diálogo se encontra.
Nasce assim o Calhamaço da vontade de preencher esse vazio na blogosfera na língua de Camões, visto já abundarem uma panóplia de blogs anglo-saxónicos, do nosso país vizinho ou mesmo do país irmão, com um espólio riquíssimo mas que naturalmente tende mais para conteúdos espanhóis ou brasileiros. Outras páginas especializam-se no anúncio de novos lançamentos ou em géneros específicos como young adult (YA), não-ficção, sci-fi ou fantástico. Aqui analisaremos livros contemporâneos, modernos e clássicos da literatura, com algum enfoque na descoberta de obras da lusofonia, mas também descobriremos outros exemplares que nos façam reflectir criticamente.
O Calhamaço nasceu
da vontade de ler mais e melhor,
de analisar criticamente obras da literatura, de partilhar a paixão pelos livros.
Numa altura de incerteza sem precedentes (cf. a pandemia causada pelo novo coronavírus), o infame bloqueio criativo (writer’s block) é uma ameaça premente e tenaz. Combater o perfeccionismo exagerado que é castrador do progresso e do sucesso, e com ele, a procrastinação, é outro dos objectivos a que me proponho com a leitura regular e a consequente análise com a publicação de críticas ou reviews às obras lidas. A título pessoal, espero conseguir passar as ideias e reflexão crítica para o papel e materializar o pensamento.
No início deste ano bizarro, frequentei um workshop de liderança onde nos foi proposto idealizar e expressar o nosso maior sonho. Uma questão simples, porém susceptível a tanta reflexão, ponderação e racionalidade. O tempo não estava do nosso lado, com um par de minutos para chegar ao derradeiro acto de escrever o sonho num balão de hélio que nos acompanharia ao longo da jornada, escrevi legivelmente: “Escrever um livro”.
Creio que fui motivado pela máxima da realização pessoal: i) plantar uma árvore, ii) escrever um livro, iii) ter um filho. Todavia, a verdade é que sempre almejei partilhar as minhas ideias e atingir o cume criativo de ter um manuscrito original com o meu nome gravado na capa. Quiçá este blog seja a rampa de lançamento para esse desejo, pela disciplina e exercício criativo que importa imprimir na redacção dos posts e concomitante leitura regular. Confesso que vou aprendendo pelo caminho e assim como os fundadores do Airbnb ao lançar o seu website e acolhendo os primeiros visitantes em colchões de ar no seu apartamento, “montar uma aeronave em pleno voo”.
Outra missão deste blog prende-se com a descoberta dos melhores livros de sempre.
Tendo a sorte e virtude de nascer num país e cultura com uma herança literária tão rica como é a lusitana, senti-me chamado a colocar um foco e descobrir a nossa cultura portuguesa e escritores lusófonos.
Em 2020, propus-me ao desafio de ler um clássico por mês e escrever uma análise, crítica ou review de cada obra aqui. A rúbrica tem o epíteto ‘Corrida da Clássico’, e tal como nessas demonstrações de chapa vetusta, mais do que vencer importa mostrar a diversidade e idiossincrasia das diferentes obras.
Para comprar os livros analisados ou recomendados, sugerimos as nossas parceiras: Bertrand
Bertrand: a mais antiga livraria do mundo em funcionamento (desde 1732)