Bofetada ao marasmo
A liberdade criativa da Arte simbolizada num Manifesto que não poupa em nenhuma injúria ou salutar bofetada para despertar um País do seu marasmo político, social, literário e cultural.
Almada Negreiros, com um tom mordaz, pilhérico, burlesco, alveja Júlio Dantas e toda a sua geração acomodada e “de descendência linfática”, alertando para a hipocrisia de uma geração de intelectuais desperdiçada em pleno clima europeu futurista e de regeneração artística.
O seu desígnio não poderia ter melhor clarificação que o exposto na própria publicação:
“Almada é a trombeta do cortejo. Salta à frente, com este estridente manifesto literário, em que o escândalo rebenta por todas as linhas, salta à frente com teatralidade dos seus gestos, dos seus gritos e dos seus atentados ao gosto e aos hábitos do senhor-toda-a-gente, hábitos de trajar, de pensar, de fazer versos, de ser funcionário público e de ter descendência linfática.”
Assim, ‘Pim!’ talvez Portugal se desperte da sua longa modorra e deixe de valorizar “caducos literatos de graves ademanes senis e de frases brunidas, medidas pelo diapasão dos clássicos que o tempo ressequiu, foram considerados os templos da Literatura e da Arte consagrada e definitiva”.
Manifesto por extenso – e por MAIÚSCULAS-, de uma ousadia sem precedente, entreposto no movimento modernista e reformador de Orpheu, que indubitavelmente deixou a sua marca indelével na cultura portuguesa.
— Recensão composta por ocasião da celebração dos cinquenta anos da morte de José de Almada Negreiros (1970-2020) —
“UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D’INDIGENTES, D’INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PÓDE PARIR ABAIXO DE ZERO!
ABAIXO A GERAÇÃO!”
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128 pág., Assírio e Alvim

