A Tia Júlia e o Escrevedor — Mario Vargas Llosa

crítica

Não percam o próximo episódio

O livro que me introduziu a Vargas Llosa e que revelou ser uma escolha na mouche.

A Tia Júlia e o Escrevedor‘ é uma homenagem à cultura latinoamericana, às novelas e em particular radionovelas, contando histórias fantásticas e que exacerbam o quotidiano peruano. Foi recompensador explorar as ruas de Lima, o bairro de Miraflores, o Perú mais rural e de herança inca e toda a sua cultura e costumes.

É também autobiográfico, onde o autor não resvala para o sentimentalismo, mas retrata com idónea representação a relação entre tia e sobrinho, comicamente entrelaçando-a com o enredo das sucessivas novelas que Pedro Camacho digitava apressadamente na sua máquina de escrever. Esta inesquecível personagem leva o romance mais alto e resulta como fio que ata e une todo o enredo.

Uma leitura leve, cómica e culturalmente rica que oferece uma antevisão à restante “emissão” criativa de Vargas Llosa. Decerto não perderei os próximos episódios na sua escrita sublime e “perspicaz cartografia do poder” (Academia Nobel).


4.2

Rating: 4 out of 5.

A Tia Júlia e o Escrevedor (1988)

375 pág., Dom Quixote
Tia Julia Escrevedor Livro Vargas Llosa

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