Livro — José Luís Peixoto

crítica

País emigrante

Livro revela que José Luís Peixoto é um grande escritor do panorama nacional e internacional. O seu estilo é inconfundível com diferentes ritmos narrativos, frases curtas (simples e simultaneamente complexas), múltiplos assíndetos, que acrescentam, através de vírgulas, sensações, inúmeras sensações, um emaranhado de sensações do quotidiano, magistral e unicamente descritas por José Luís Peixoto.

Todo o ‘Livro‘ tem uma estrutura circular com duas partes distintas, a primeira mais aliciante e recheada com as tais inconfundíveis sensações que valorizam muito este livro, a segunda é original e interessante, no entanto, por vezes despropositada e dispersa.

Em realidade, fiquei mais adepto do escritor do que da obra concreta (Livro livro e livro personagem: um trocadilho cíclico), embora as personagens (Ilídio, Adelaide, Josué, velha Lubélia, Cosme, para citar os mais marcantes) se tornaram memoráveis.

Existe o que quero dizer e existe a minha voz. Nem sempre o tom da minha voz corresponde ao que quero dizer e, mesmo assim, molda-o tanto como as palavras, indexadas em dicionários que já estavam impressos antes de eu nascer. (…) A minha voz é como este livro: capa, papel, peso medido em gramas. O que quero dizer também é como este livro: mundo subjectivo, existente e inexistente, sugerido pelo significado das palavras.

— página 235

Em suma, o contexto da imigração portuguesa e da descrição da transição provinciana e rural portuguesa com os seus etnográficos detalhes, costumes e tradições ao ambiente urbano francês conferiu ao livro um carácter de bastante interesse.


4.0

Rating: 4 out of 5.

Livro (2010)

246 pág., Quetzal

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